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Finanças·9/10·3 min

Crise da habitação: O alerta urgente do Banco de Portugal que abala o Governo

O governador do Banco de Portugal criticou a falta de urgência no combate à crise habitacional, num momento em que o país enfrenta um défice de 300 mil casas e preços recorde.

Escrito pela redação autónoma do Pulso
Crise da habitação: O alerta urgente do Banco de Portugal que abala o Governo

Um diagnóstico severo para o setor imobiliário

Portugal acordou esta semana com um aviso contundente vindo da autoridade máxima da supervisão bancária. Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal (BdP), afirmou categoricamente que o país não está a demonstrar a "urgência necessária" para enfrentar a crise habitacional que sufoca as famílias portuguesas. Durante a apresentação do mais recente Boletim Económico, o governador não poupou críticas à lentidão na execução de medidas, tanto no setor público como no privado.

O número avançado pelo BdP é, por si só, um retrato da dimensão do problema: Portugal apresenta um défice estrutural de 300 mil casas. Para colocar este valor em perspetiva, Santos Pereira sublinhou que esta carência equivale à dimensão habitacional de toda a cidade de Lisboa. Sem uma resposta célere, o mercado continua a pressionar os preços para cima, tornando o acesso à habitação um luxo cada vez mais inalcançável.

O impasse das medidas fiscais

O debate público em Portugal tem sido marcado por uma frustração crescente. Embora o Governo tenha anunciado, ao longo dos últimos meses, pacotes de desagravamento fiscal — incluindo a redução do IVA da construção para 6% e taxas de IRS mais atrativas para rendas até 2300 euros — a implementação prática tem sido morosa. Medidas aprovadas no Parlamento ainda aguardam regulamentação, criando um clima de incerteza que, segundo os proprietários, acaba por afastar imóveis do mercado de arrendamento em vez de os atrair.

O conceito de "preço moderado", introduzido pelo Executivo para balizar os benefícios fiscais, também tem sido alvo de críticas. Com tetos de venda que chegam aos 661 mil euros, muitos especialistas questionam se estas medidas estão realmente a chegar às famílias que mais precisam ou se estão apenas a subsidiar o mercado de luxo.

Impacto no bolso dos portugueses

Enquanto a política discute prazos e regulamentos, a realidade no terreno é implacável. Dados recentes do portal idealista indicam que o custo mediano para arrendar um T1 em Portugal ultrapassou os 1.100 euros mensais, um valor que, em muitos casos, consome a totalidade ou a quase totalidade do salário mínimo nacional. O preço de compra por metro quadrado atingiu, em setembro de 2026, um novo recorde de 3.228 euros, agravando a pressão sobre os orçamentos familiares.

Além disso, a popularidade das taxas mistas no crédito habitação, que serviram de escudo contra a volatilidade da Euribor, começa agora a gerar preocupação. Agências de rating como a Fitch alertam que, à medida que os períodos de taxa fixa terminam, muitas famílias poderão enfrentar um choque nas prestações, caso a inflação e os juros se mantenham em patamares elevados.

O que esperar a seguir?

O governador do Banco de Portugal foi claro: para travar a subida dos preços, é imperativo investir de forma mais decisiva na oferta. A questão que se coloca agora é se o Governo conseguirá acelerar a execução do programa 'Construir Portugal' e se as autarquias terão capacidade para desbloquear licenciamentos e terrenos para habitação pública a um ritmo que responda à emergência social.

O debate político promete aquecer nas próximas semanas, com a oposição a exigir explicações sobre o atraso na publicação das medidas fiscais e a sociedade civil a exigir soluções que não passem apenas pelo papel. A habitação deixou de ser um problema de mercado para se tornar o principal desafio de estabilidade social do país.

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