Um impasse que mobiliza o concelho
A questão da instalação de uma unidade de produção de biometano na freguesia de Árgea continua a ser um dos temas mais quentes na agenda política e social de Torres Novas neste segundo semestre de 2026. O projeto, promovido pela empresa Gás da Terra, tem enfrentado uma forte resistência por parte da população local, de associações ambientalistas como a Quercus e, mais recentemente, do próprio executivo municipal liderado por José Trincão Marques.
O posicionamento da autarquia
Após uma fase inicial de incerteza, a atual Câmara Municipal de Torres Novas assumiu uma postura clara de oposição ao projeto. O presidente da autarquia, José Trincão Marques, tem sido vocal ao afirmar que o concelho não possui a aptidão necessária para acolher uma infraestrutura desta dimensão, que prevê o tratamento de cerca de 100 mil toneladas anuais de resíduos orgânicos e efluentes pecuários. O autarca chegou mesmo a admitir, em sede de Assembleia Municipal, que o processo de aprovação inicial, conduzido pelo executivo anterior, foi marcado por erros e falta de transparência, comprometendo-se a defender os interesses dos munícipes.
Impacto e preocupações locais
O projeto tem gerado uma onda de contestação que atravessa fronteiras, envolvendo também municípios vizinhos da sub-região do Médio Tejo. As principais preocupações dos moradores prendem-se com o impacto ambiental, nomeadamente a gestão de odores, a proteção dos recursos hídricos e a pressão sobre as infraestruturas locais. A empresa promotora, por seu lado, defende que o projeto cumpre todas as normas ambientais e que foram integradas medidas rigorosas para minimizar os efeitos negativos sobre a população.
O que esperar nos próximos meses
Com a consulta pública já encerrada e a pressão cívica a aumentar, o futuro da unidade de biometano em Árgea permanece incerto. A autarquia tem apontado incompatibilidades entre o projeto e o Plano Diretor Municipal (PDM), o que poderá ser um entrave jurídico decisivo. Para os habitantes de Torres Novas, a expectativa é de que a voz da comunidade continue a ser ouvida e que qualquer decisão futura respeite a identidade e a sustentabilidade do território. A câmara municipal mantém-se vigilante, prometendo continuar a acompanhar de perto todos os desenvolvimentos deste processo que, desde meados de 2026, tem marcado a vida política local.